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Você sabe dizer não?

Leia crônicas do professor Ederson Mota                                                                                             

 

COMO É FÁCIL DIZER NÃO

Desde a mais tenra idade convivemos com o NÃO, que já se tornou parte integrante da cultura ocidental. Tão comum que sua comunicação tornou-se simples, fácil, definitiva e sinônimo de imposição. No dia a dia, o NÃO supera todas as conversas no sentido de contrariedade, anulação, tornar sem efeito e quase todos os aconselhamentos são ditos com um NÃO sempre presente, decisivo. Até em situações importantes torna-se mais fácil, mais cômodo, pronunciar um NÃO para encerrar uma proposta ou impedir o início de uma ideia que pode vingar e trazer dividendos.

 

 

A vulgarização do NÃO levou o sentido da palavra à perda de credibilidade. Quando é anunciada como definitiva, imediatamente vem a pergunta POR QUÊ? Ou seja, de tanto ser usada deve ser acompanhada de uma solicitação de justificativa e se a mesma não ocorrer, o NÃO deixa de ser importante e torna-se mais uma dessas falácias que andam por aí.

 

 

Conte quantas vezes você utiliza e ouve o não diariamente. Já incorporado à cultura brasileira, não tem sido aceito pelos questionadores de plantão, daí tanta desobediência às leis e normas, daí o descrédito das instituições cujo instrumento é buscar a verdade e punir aqueles que a rejeitam.

 

 

E agora? Modere o uso do NÃO para que assuma seu valor absoluto ao lado do SIM e seja a expressão da verdade.

 

 

 

MARCAS DO PASSADO    

A música, ouvida em rádio valvulado de 1943, inicia a manhã com flashback; o café é passado em coador de pano e a chaleira chia com a água na quentura ideal.

 

 

O aroma já é o próprio desjejum com um naco de broa de centeio revestido de manteiga produzida no interior. Saudade do passado que tinha mais privilégios que os tempos atuais na sua simplicidade e diversidade.

 

 

O sino badalava às sete junto com o apito das máquinas a vapor e não havia pressa nem tumulto nem congestionamentos nas largas vias sem asfalto e o fluxo de pedestres era organizado, raros os atrasos, a cultura indicava responsabilidade do mais humilde ao mais categorizado.

 

 

As praças, todas bem arrumadas, floridas, convidativas, limpas e perfumadas, uma delas com um coreto com apresentações de bandas e conjuntos, ao vivo, logo após o culto religioso, de grande afluência de público.

 

 

Vivia-se mais em menor tempo pois desfrutava-se a vida intensamente, no embalo de valsas, marchas, xotes, tangos e boleros.

 

 

Do passado distante ficaram imagens impressionantes do colégio cinzento, do Almirante antigo, da capela da colina, do viaduto da via férrea, da Maria fumaça com o seu ruído característico, da ponte de madeira sobre o rio, dos distritos hoje municípios, do hotel Ouro Verde, do bar Pérola, dos desfiles cívicos com marcha militar, das fanfarras escolares e das pessoas que passaram por aqui e deixaram legados, descendentes, acervos, pinturas, livros e travaram um bom combate.

 

 

E agora? O que fazer com a nostalgia? As boas lembranças devem ser trazidas à tona, pois junto com elas vêm os bons exemplos.

 

 

PERSONAGENS DA CIDADE       

Há muitos personagens que vagam pela cidade, alguns típicos, outros desconhecidos, outros ainda discretos.

 

 

Circulam livremente por aí o catador de lixo, o carroceiro, o pedinte do meio-dia, os malabaristas de plantão, estátua viva e tantos outros como o sorveteiro, o vendedor de lanches, os motoqueiros com suas entregas, os ciclistas que perambulam, geralmente pelos caminhos da grande praça e a vida segue seu ritmo de compras e visitas a lojas na rua principal.

 

 

Além disso, os veículos automotores que estacionam livremente por aí e os pedestres que se cuidam ao atravessar as movimentadas ruas. Há ainda os coletivos que transportam pessoas dos bairros para a sede e vice-versa e ocupam áreas inteiras para estacionar.

 

 

A cidade tem solução para os momentos de tensão, uma água mineral, uma bola de sorvete italiano do França, uma sombra generosa debaixo de um pinheiro europeu e outras possibilidades.



 

 

O que a cidade não pode aceitar é o fato de não ser cuidada adequadamente e parece que o povo passa indiferente a tudo isso.

 

 

Lembre-se da máxima: cidade limpa e conservada, povo educado e feliz.

 

 

E agora? Prestar atenção e solicitar providências são gestos de cidadania responsável e honesta.

 

 

 

DÍVIDAS E COMPANHIA      

Quem está livre de dívidas, que atire a primeira pedra. Elas vão e vêm num embalo irresistível na forma de cartões, promissórias, cheques, empréstimos e outras modalidades e tiram o sono dos pobres mortais que acreditam que um dia irão encerrar. Às vezes elas são de longa duração, quase uma vida, vide casa própria, às vezes são rápidas e você fica feliz quando terminam e … logo faz outra para substituir a anterior.

 

 

Na verdade, todos devem e a moeda circula por esse motivo, e os empregos aparecem porque há dívidas a pagar e consumidores para parcelar.

 

 

Alguns se desesperam por elas, mas como diz a Vó Donalda: não há sufoco que sempre dure e o alívio surge com a negociação.

 

 

Dívidas foram feitas para serem administradas, não incorporadas como doenças e noites de insônia, porque a capacidade de pagamento pode superá-las mesmo que a longo prazo e no país do endividamento cultural assumido tem a relevância de alterar a vida de uma sociedade inteira. Afinal, quem não deve alguma coisa a alguém? Um favor, uma ajuda, um empréstimo de emergência, um agradecimento, um muito obrigado, um bom dia, um sorriso.

 

 

E agora? Negocie consigo mesmo antes de negociar com os outros e esqueça as dívidas; elas fazem parte da vida que você escolheu.

 

 

A NOITE CHEGOU   

A cidade respira, sem ruídos estremecedores, sem o movimento intenso do dia, sem o barulho dos veículos com as rodas deslizando sobre asfaltos e calçamentos. O silêncio é dominante e vez por outra se ouve pessoas conversando enquanto caminham ou pedalam apressadas rumo aos lares. O ar fica mais fresco, a temperatura mais baixa e acontece com as pessoas uma volta à calma, um relaxamento oportuno, um convite ao descanso.

 

 

A ausência do sol desliga o sinal de alerta dos seres e esse intervalo chamado noite nos conduz à meditação e ao sono.

 

 

O que se ouve com frequência são as tevês ligadas no mesmo horário de novelas e jornais, após, os aparelhos são desligados, obedecendo-se ao ciclo da noite.

 

 

Com a noite chegam o sono e os sonhos, difícil de recordar no dia seguinte, mas são válvulas de escape das agitações que se enfrenta. Alguns sonhos são tão alvissareiros que desejamos que continuem, daí a expressão “sonhar acordado”.

 

 

É o grande momento de falar consigo mesmo sem barreiras,  revisar o que foi feito e planejar o que se há de fazer.

 

 

E agora? Agora é preciso enfrentar o dia e fazê-lo melhor do que ontem, não deixando se transformar em pesadelo. Bons sonhos, brasileiros!

 

 

 

 

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