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“O Meu Lugar”

Foto que ilustra a contracapa do livro "O Meu Lugar"/Arquivo

Na crônica da semana, Adair Dittirch fala sobre seu primeiro livro        

Encontro-me em êxtase. Encontro-me tensa. Aguardando o momento que será o momento ímpar, o momento único em uma vida já de tão intenso viver.

Foram incontáveis as emoções já palmilhadas. Já perpassei pelos píncaros da glória. Coroas mil já recebi. Mesmo que muitas apenas de espinhos tivessem sido. Porque, também, abismos eu já transpus.

Mas, nada, nunca nestes dias todos em que os meus pés por estas terras pisaram algo eu aguardei com tanta angústia como o que agora aguardo. Que é o tatear com as minhas mãos, sentir o doce aroma, ouvir o ruído de simples folhas de papel farfalhando entre os meus dedos, ver, impressos, palavra por palavra, os pensamentos todos que por tantas horas em rascunhos desfilaram.

Sim, ele virá. Dentro de dias ele estará em minhas mãos. Ele, “O Meu Lugar”.

Que, eu espero, esteja também ante os olhos e nas mãos de todos vocês que, por tantas luas, aqui, neste espaço, já me acompanharam.

“O Meu Lugar” não é um lugar qualquer para mim. Não é um espaço circunscrito entre o rio e a montanha, entre o vale e a colina. “O Meu Lugar” é o meu lugar. É o território encantado que me viu nascer e onde aventurei meus passos infantis. “O Meu Lugar” transcende os limites todos pelos espaços por onde andei.

Ele é um encanto. E é encantado. E sobre ele eu canto. E conto. De noites verdes. De céus estonteantes de luz. De furacões. E de saudade.

Eu falo da mais linda paisagem que se descortina do alto mais alto da colina que o rodeia. E falo das peripécias de crianças descalças pelo vale a deslizar.

Mas, “O Meu Lugar” extrapola os limites do canto onde nasci. Ele pode ser o leito em que, no internato do Sagrado Colégio, eu me deitei. Ou as carteiras todas das salas de aula por onde passei. Ou o tronco da árvore aonde aboletada eu ficava a mergulhar em livros nas modorrentas tardes de muitos domingos.

Ou ele, intempestivamente, transmuta-se no meu santuário sagrado das salas de cirurgia e recuperação do meu hospital onde a cor púrpura das tragédias de muitos fins de semana invadiram-me  em inacreditáveis e trágicas histórias.

“O Meu Lugar” retorna aos dias dos textos que eu escrevia para o nosso velho jornal semanário “Barriga Verde”. E traz lembranças das páginas do “Correio do Norte” onde minha amiga Isis Maria Baukat tecia seus poemas.

“O Meu Lugar” conta de um lindo restaurante, em estilo italiano, que meus Nonnos Pedro e Thereza Gobbi construíram ao lado da estação de trem de minha vila há mais de um século já. Ele ainda lá está, alquebrado, paredes a desmoronar-se na inclemência do tempo e na negligência dos homens.

No Meu Lugar ainda existe a estação com sua plataforma de pedras. A estação aonde eu nasci.

Na capa “O Meu Lugar” traz uma imagem desta estação. Uma fotografia que a lente de minha amiga Fátima Santos captou com poesia. Aonde uma menina ao lado de sua malinha de viagem olha os horizontes sem fim como que entrando para o desconhecido mundo que a sua frente se descortina.

Ou seria a imagem da menina que acaba de desembarcar e traz em sua mente e em todo o seu ser uma bagagem com a reprodução de um passado que concentra o todo e o tudo que viu e o todo e o tudo que foi?

Eu gostaria tanto que nenhum erro em “O Meu Lugar” fosse encontrado. Mas, nunca se sabe. Algo sempre evapora… E, para que isto não acontecesse inúmeras revisões foram realizadas. Com o veredicto final dado pelos professores Ederson Luiz Matos Mota e Pedro Penteado do Prado. Agradecê-los por este incontável feito é pouco. Que as páginas escritas por eles também se eternizem na memória do mundo.

Um prefácio especial de meu amigo Edinei valoriza sobremaneira este meu titubeante e iniciante palmilhar pelas artes literárias. O meu amigo Edinei, que, em momento de inusitada inspiração batizou meu livro com este nome tão lindo, “O Meu Lugar”.



O meu amigo Edinei que me incentivou para que este livro fosse editado. Que fez a primorosa diagramação. Que idealizou a capa. Que colocou o belo texto de Pedro Penteado na contracapa sobre antiga e esmaecida foto de meu pai com seu cachorro.

Sei que vocês podem estar curiosos. Para saber o que mais “O Meu Lugar” congrega. Não, “O Meu Lugar” não é um romance, nem história de ficção. Nem tampouco se assemelha a assuntos biográficos.

Nele eu apenas conto. O que vi. O que ouvi. De algumas adagas que tentaram sangrar meu coração. De sentimentos. E, talvez, com muitas tintas trazidas pela imaginação. É “O Meu Lugar”. Apenas.

 

Texto incrustado na contracapa:

 

 

“Ler as crônicas de Adair Dittrich é viajar no tempo pela história – “nossa” história de Canoinhas… É reinaugurar a pedra fundamental do Hospital Santa Cruz, é passear pela linha férrea Canoinhas/Marcílio Dias ouvindo o saudoso apito da Maria Fumaça.

Ler Adair é vagar a seu lado pela aldeia de Marcílio Dias nos tempos de outrora, quando os trens, trazidos pelo americano Percival Farquart, nos levavam até aquela velha estação próxima ao restaurante da Nonna; logo ali, naquela aldeia onde os homens fardados buscavam por um “perigoso” cidadão que tinha suas ideias diferentes das ideias dos homens que ditavam as ordens neste Brasil brasileiro…

E isso incluía um preço muito alto!…

Ler Adair é saborear os pastéis da Nonna, a macarronada e a polenta com galinha… É navegar pelo leito do Canoinhas de dantes e mergulhar em suas águas navegáveis… É conhecer e se apaixonar por Graife e Moka, os amigos da raça canina. É frequentar o Salão do Coringa nas domingueiras de seu apogeu… É conhecer o Campo do Trigo no seu início, a Cafeína, o campo do São Bernardo…

Ler Adair é vagar pelos obscuros corredores do Sagrado Coração de Jesus, no antigo centro de Canoinhas, saber de causos relatados com carinho, emoção e saudosismo…

Ah! Ler Adair é saborear o néctar dos deuses da literatura, é impregnar-se de cultura e de seu prazer pela escrita.”

Pedro Penteado do Prado

Professor ─ Membro detentor da Cadeira nº 1 da

Academia de Letras do Brasil ─ Seccional Canoinhas/SC

 

 

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