Nos tempos de Urda Alice Klueger…

Urda Alice Klueger/Divulgação

Adair Dittrich homenageia a amiga escritora

 

 

Hoje eu preciso falar sobre uma pessoa especial que conheci há algum tempo já. Ela aqui chegou no bojo de um saudoso e belo projeto que a nossa Unimed abraçou. Ela aqui chegou no bojo de um projeto literário, de um projeto de incentivo à leitura, de um projeto que instigava estudantes a também deitarem no papel as coisas que em suas mentes fervilhavam. Era o projeto “Encontro Marcado”, idealizado por Lia Fausta Bonilla Colomé, professora de língua portuguesa da cidade de Videira.


 

 

Lia, a cada encontro nosso, em todas as conversas nossas falava em Urda. E um belo dia a nossa escritora em Canoinhas aportou. Foram horas de pleno deleite as horas que a sua companhia pudemos desfrutar.

 

 

Entre uma escola e outra onde apresentava suas obras, conversava com os alunos e recebia as devidas homenagens muito de Urda eu fiquei conhecendo.

 

 

Meses antes havíamos entregue para as unidades escolares exemplares de quatro obras de nossa escritora. Para que os estudantes as dissecassem e em cima daqueles textos apresentassem seus trabalhos. Foi uma maratona literária desenvolvida em apenas dois dias nas escolas Almirante Barroso e Irmã Maria Felícitas, de Canoinhas, General Osório, de Três Barras e Estanislau Schumann, de Bela Vista do Toldo, nas quais vimos belíssimas apresentações inspiradas nos temas de seus livros “Verde Vale”, “Cruzeiros do Sul”, “No Tempo das Tangerinas” e “No tempo da Bolacha Maria”.

 

 

Já são, creio uns vinte e cinco livros já publicados. Sem contar as centenas de crônicas que, semanalmente, inúmeros jornais, de língua portuguesa, físicos e virtuais, publicam em várias partes do mundo.

 

 

Alguns ainda não li. E na fantástica criatividade e imaginação de Urda outros “No tempo de…” vieram a lume.

 

 

Não ouso ser comentarista literária. Mas gosto de falar, de vez em quando, sobre as obras de meus amigos. E neste seu último livro, “No tempo da Magia”, publicado neste ano pela Editora Hemisfério Sul eu encontro uma Urda recheando de pura poesia todas as páginas.

 

 

O encantamento salta de dentro daquelas folhas todas para a alma de quem está lendo. Urda nos conta o que pensa e como pensa e todas as sensações que sente um serzinho acabado de ser gerado no ventre materno.

 

 

Nenúfares embelezam as águas onde se banha a feliz heroína. Libélulas douradas, que tem até nome próprio, conversam com o menino que “vive feliz dentro de seu abrigo quentinho”…

 

 

E uma forma diferente, romântica, bela, ímpar em descrever cenas de um erotismo que nos leva aos páramos azuis de outros universos.

 

 

O tempo é descrito em tempo de chuvas e de vento sul, em tempo de flores e de jardins perfumados, em tempo de sol dourado de se espreguiçar nas areias… em tempo de folhas secas que voam…

 

 

Não um mar qualquer vislumbrado por um olhar qualquer… O mar de Urda é “um grande mar-oceano… todo azul e prata, feito de pequenas placas que reverberam ao sol…”

 

 

E assim eu fui mergulhando neste mar e nestas águas, muitas vezes turbulentas, onde as tragédias se avolumam e a saudade se agiganta. Onde a tristeza se estende por páginas e páginas. Onde o esperado milagre parece jamais acontecer.

 

 



E assim eu vaguei pela floresta encantada onde fadas e príncipes imaginários entre líquens e ervas deixaram as marcas de seus pés.

 

 

Urda em meio a tanta poesia só poderia encontrar um personagem a quem batizou de Maria Quintana. Que também distribuía livros para que a redondeza toda entendesse o milagre da vida.

 

 

Descrever o desabrochar do botão de uma orquídea em mágicas palavras, assim como quem conta das mãos que se elevam no milagre da dança. E a vida que em forma de poemas brota em cada flor.

 

 

A vida que brota quando uma pequena gramínea surge do solo… a vida que surge de dentro de um objeto meio esbranquiçado, ou cinza-azulado, de formato oval…

 

 

E assim Urda nos conduz por este caminho carregado de magia e de amor, entre libélulas e nenúfares.

 

 

Um conto de fadas que enfeita a vida como ela é.

 

 

Mais uma história em que a imaginação de nossa mística escritora que deixou a sua buliçosa Blumenau para ir viver ao lado do mar, nas areias encantadas de uma enseada logo ali ao sul da ilha da magia.

 

 

A figura ímpar de Urda, sempre presente em minha imaginação é uma Urda com seu indefectível macacão de múltiplas faces, deixando suas pegadas na areia da praia, tendo a seu lado seus eternos companheiros, o velho Atahualpa, cão de todas as horas, Manuelita Sanz, a adorável gatinha e outros mais que da sordidez humana ela foi salvando. Como o Zorilho que ela viu ser jogando, de dentro de um carro de luxo, para dentro das águas do mar que ficava logo ali, na frente de seu jardim. Coisas que eu sei porque tudo ela conta em suas crônicas.

 

 

Mas Urda não precisa de lugares especiais para escrever.Simplesmente se debruça sobre seu pequeno computador e vai dedilhando seus poemas que se estendem em múltiplas linhas e as histórias vão fluindo.

 

 

Em “Cruzeiros do Sul” ela narra uma verdadeira epopeia. Ela nos conta a saga de uma família desde o encontro de um loiro degredado, que aportara em uma das belas praias, no litoral de nosso estado, com uma índia xokleng… A aventura de dois garotos portugueses que, por caminhos diferentes chegam a Santa Catarina. Um romance intenso, carregado de aventuras, carregado de personagens, que se desenvolve por dois séculos, intenso e calcado em muita pesquisa, coisas de uma historiadora, outra graduação de Urda, que também é doutora em Geografia.

 

 

Ler esta obra é adentrar-se nas profundezas de nossa história. É penetrar no âmago de nossos campos e rios, de nossas serras e pinheirais, é descobrir com a autora o caminho que os índios percorreram para descer do nosso planalto ao litoral.

 

 

A cada livro que de Urda eu leio, mais eu me encanto e com eles eu viajo por lugares nunca dantes imaginados.

 

 

“No tempo da magia” eu vi as fadas, eu ouvi libélulas conversando. São leituras assim que nos fazem voar para altiplanos jamais vislumbrados e deixar por algum tempo as agruras que nos toldam e nos prendem neste árido solo.

 

 

Espero que a imaginação de Urda continue fértil, brindando-nos sempre com outras histórias mais.

 

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