A noiva da parede

Um caso verídico de uma história de amor que se transforma num curioso caso policial não resolvido                         

 

Mercedes era uma menina livre, acostumada a brincar na rua, nos campos de Malagueño, uma pequena cidade situada aos arredores da grande Córdoba, uma cidade argentina. Sua personalidade inclusiva e extrovertida sempre encantara a todos e obviamente à sua mãe, uma aristocrata viúva que perdeu seu marido num acidente de avião.

 

 


Por ser tão expansiva e tão comunicativa Mercedes sempre manteve muitas amizades por toda a sua vida escolar, as crianças iam visitá-la na típica fazenda argentina onde morava com sua mãe e sua avó materna, e ali preenchiam a casa com vida e brincadeiras que nunca se acabavam. Na fazenda se plantava trigo e se criavam algumas poucas vacas para suprir o leite que a família consumia, além de alguns cavalos que as crianças sempre pediam para montar e andar pela enorme propriedade da família. Os criados da fazenda eram tratados com respeito e por esse motivo andavam sempre sorridentes e tratavam as crianças como se fossem seus filhos, era um ambiente de muita paz e felicidade.

 

 

Além de suas características de personalidade Mercedes era uma morena de cabelos longos, olhos azuis, de estatura mediana que chamava a atenção por onde passava o que fazia dela uma menina muito atraente.Com o passar do tempo, viu-se obrigada a ir estudar fora para aprender a administrar a fazenda que sua mãe tanto sofria para manter viável e o curso escolhido foi Administração de propriedades rurais em Buenos Aires.  Para lá se foi morar no fino apartamento que a família mantinha no bairro da Recoleta ainda em seus tenros 18 anos.

 

 

Aos poucos meses entrou em depressão por não suportar o clima e a solidão que a cidade grande lhe impunha, suas notas na faculdade mostravam seu descontentamento, assim como as escassas ligações para a sua mãe e para seus amigos. Foi quando conheceu Facundo, um homem de 45 anos, portenho, separado, sem filhos, que tinha fama de arrogante e que tinha vivido toda a sua vida na capital argentina, o que lhe permitiu conhecer cada esquina da cidade. Se apaixonaram e depois de 10 meses foram morar juntos no apartamento dele.

 

 

Na faculdade, Mercedes se formou com boas notas, suas crises de depressão sumiram, mas seu contato com a família e com os amigos foi diminuindo cada vez mais até o momento em que se tornou nulo e nunca mais ligou e nem voltou para a casa. Falava com sua mãe somente quando ela ligava o que não era muito seguido, pois as tarefas da fazenda e a doença de sua avó, Dona Enriqueta lhe tomavam muito tempo.

 

 

Quinze anos se passaram desde sua ida para a capital quando sua mãe liga e Facundo atende:

 

 

– Boa tarde, Facundo, gostaria de falar com Mercedes!

 



 

– Desculpe, Victoria, mas a Mercedes não mora mais aqui, eu pensei que ela estivesse com a senhora, pois ela me disse que voltaria para a sua terra natal, onde tinha deixado a sua felicidade!

 

 

– Como assim, ela não veio… Há quanto tempo ela saiu dai?

 

 

– Eu comprei a passagem para ela faz uns 45 dias, e como desde então, ela nunca mais se comunicou e como ela estava muito depressiva, achei normal seu isolamento e pensei que ela estivesse com a senhora…

 

 

Victoria achou aquela história estranha e imediatamente contatou a policia que fez uma busca por toda a estrada entre Buenos Aires e Córdoba, rastreando mais de 700 quilômetros e nada acharam. Vasculharam também o apartamento de Facundo e de Mercedes na Recoleta, além das câmeras de vídeo da rodoviária, onde aparecia realmente Facundo comprando uma passagem no dia em que ele indicou…Mercedes desapareceu e o caso foi encerrado.

 

 

Vinte e cinco anos se passaram, Dona Enriqueta e Facundo faleceram. Mercedes nunca foi encontrada.

 

 

Como Facundo não tinha filhos seus bens foram passados para um de seus sobrinhos que decidiu fazer uma reforma no apartamento do tio, antes de alugá-lo. E tão grande não foi a surpresa do pedreiro que ao quebrar uma parede encontrou o cadáver já transformado em esqueleto de uma mulher, sepultada ali mesmo, numa parede.

 

 

Autor anônimo

Deixe seu comentário:

Top