Mais umas tintas em torno de meu novo livro

Adair, em um de seus momentos na Europa/Arquivo pessoal

Adair Dittrich escreve mais sobre o livro que lança na sexta-feira, 30

 

 

Em “A Europa pelo meu olhar” eu conto os muitos percursos feitos, em trem, através do Velho Continente, percursos estes que só nesses comboios de alta velocidade seriam possíveis. E conto como encontrávamos hotéis e como nós nos embrenhávamos por ruas e praças lá existentes há mais de um milênio.


 

Como o prurido do escrever já há muito se instalara dentro de mim, levava comigo a intenção de, a cada noite, sentar-me em algum canto e rabiscar as aventuras do dia. E mais eu fiz. Já no free shop do aeroporto em São Paulo eu adquirira um minigravador de bolso no qual eu tentaria deixar as minhas impressões.

 

Nem tentei a primeira gravação. Que seria a bordo de um trem noturno que, da cidade do Porto, em Portugal, nos deixaria em Madrid. Ao ver minha companheira de viagem, exausta das peripécias do dia, dormindo à minha frente, imaginei que iria perturbá-la e desisti. E no fundo da mala desde então ele se quedou, mudo e esquecido.

 

A tentativa então de começar a escrever findou quando a caneta, antes mesmo de roçar a branca folha de papel, cai-me das mãos e rola para algum canto sob os assentos onde nos encontrávamos.

 

Mas a memória guarda, em seus escaninhos mais profundos, pedaços auspiciosos de vida. E estes pedaços foram aflorando à medida que o caminho percorrido em minha mente se vislumbrava.

 

 

E então estas memórias foram sendo despejadas, lentamente, semana a semana, nas minhas colunas neste nosso JMais que há anos me acompanha em minhas divagações.

 

 

E viajei novamente. Em cada linha. Em cada frase. Em cada parágrafo. E o trem corria pelos trilhos. E eu corria pela linha por onde este trem corria.

 

 

Perguntam-me de qual cidade eu mais gostei, qual o país que mais me marcou, qual montanha deixou impressões mais fundas. Cada canto é um canto, cada recanto é um recando e de cada palmo pelas terras por onde andei eu carrego comigo seu ar bucólico, seu ar de fantasia, seu ar de vida. Vi luzes e vi pessoas iluminadas, vi estrelas e vi corações a mil, vi lindas ruas com gente buliçosa e vi caminhos esquecidos onde sequer vivalma encontrei. E ouvi música, muita música.

 

 

Meu amigo e Confrade Pedro Penteado do Prado, primeiro presidente de nossa Academia de Letras do Brasil/Canoinhas presenteou-me com este digno prefácio que é quase o próprio resumo de “A Europa pelo meu olhar”.

 

 

“Devo dizer não sou nem um pouco viajante. Ir de Canoinhas à capital é um suplício! Penso, vezes e vezes, em desistir. Quando Adair me pediu para prefaciar sua obra tremi na base!

 

 

Acompanhei, com expectativa, os preparativos da viagem de Adair, Jucy e José Ganem. Lamentei muito, mas muito mesmo, quando um obstáculo na vida de meu amigo Zezé impediu sua ida ao Velho Mundo. Junto delas embarquei e trilhei cada linha dos escritos de Adair, acompanhando-a e a Jucy em suas andanças pela Europa.



 

 

Chegamos à nossa Pátria-Mãe, iniciando a odisseia. A descoberta de Portugal, as casas de Fados, o bom bacalhau e música ao som de bandolins. Percorremos as ruas estreitas do bairro de Alfama. Conhecemos as memórias de nossos descobridores. Marchamos por Lisboa e experimentamos os pastéis de Belém. Fomos a Estoril, vimos o autódromo e o cassino. Passeamos pela Coimbra das canções… Visitamos Porto, do vinho.

 

 

Dali rumamos à Espanha. Passeamos por Madri, visitamos o Museu do Prado, vimos a obra de Velásquez… Visitamos a Plaza Mayor e a Plaza de Toros. Estivemos em mais bibliotecas, mais museus, estádios de futebol. Fomos a Toledo, de El Cid Campeador (do qual eu lia as aventuras quando criança), de El Greco e Goya, que suas marcas deixaram com suas tintas coloridas. Andamos pela Catalunha de Gaudi.

 

 

Erramos pela Marselha, a Riviera Francesa! A Côte d’Azur! Nice, Mônaco, Cannes, Cassino de Monte Carlo. Daí para a Itália: Roma, Capitólio e Coliseu, as ruínas do Fórum Romano e Panteão. Fomos até a Piazza Navona, Riviera Italiana, San Remo, Porto de Gênova, de onde partiu Colombo para descobrir a América. Vaticano, Capela Sistina. Bebemos vinho do Trastevere. Fomos a Nápoles, Capri e a Gruta Azul. Ao acaso, encontramos o Ristorante Dona Nena (com o mesmo nome da mãe de Adair) e degustamos um delicioso peixe à moda mediterrânea.

 

 

Visitamos a Florença de Dante. Nossos dedos tocaram Davi, de Michelangelo. Observamos, atônitos, a Torre de Pisa. Vagueamos pela Veneza de Vivaldi, das pontes, gôndolas e canais. Visitamos os cafés, ouvimos os músicos tocando e cantando sambas e chorinhos.Dali enveredamos para a Áustria e logo surgiram as dificuldades da língua. Mesmo assim desafiamos Viena! Chegamos pertinho dos compositores eternos: Strauss das valsas e operetas, Brahms, Schubert, Haydn, Mozart, Mahler, Franz Lehar.    Curtimos as belezas do Danúbio. O tempo era curto e logo rumamos para a Hungria, conhecendo a histórica Budapest. Belas paisagens, resquícios da segunda guerra e da Cortina de Ferro, Museu de Belas Artes. Vimos obras de Monet, Manet, Renoir, Rembrandt, El Greco, Velásquez, Goya e esculturas de Da Vinci e Rodin. Ouvimos músicas, apreciamos a gastronomia típica e admiramos as alegres e coloridas danças gitanas.

 

 

Viajamos logo para a Alemanha de Goethe. Estivemos em Bonn, Ahrweiler. Fomos com Adair pilotar no Autódromo de Nurburgring. Um espetáculo da F-1. Estivemos em Trier, a cidade de muralhas romanas e ao Grão Ducado de Luxemburgo. Dali para a França! Paris, Sena, Champs Élysées, Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Catedral de Notre Dame.

 

 

Ao lado de Adair eu vi o Quasímodo ajoelhado, ofertando uma rosa a Esmeralda. Fomos ao Louvre e à mostra de arte da humanidade. Vi Monet e Matisse, Renoir e Picasso, Utrilo e Cézanne a rir na noite parisiense. Também vi Toulouse-Lautrec dependurado em um cavalete a retratar as bailarinas do cancã. Li textos iluminados de Victor Hugo, Dumas, Musset, Balzac, Maupassant, Daudet…

 

 

Vi o Castelo de Versalhes. Visitei Bois de Bologne, local onde Santos Dumont realizou as experiências que culminaram com o voo de seu 14-Bis. Lugares somente descritíveis sob a pena de Adair…

 

 

Visitei Bélgica e Holanda.  Vi o impacto de Waterloo e os encantos de Bruxelas. Descrições impressionantes! Estive vivenciando as belas Bruges e Amsterdam.   Cenários históricos! Vi (outra e outra vez) “O semeador”, “Auto Retrato”, “Os Girassóis”, “Trigal com Corvos”, “As Planícies de La Crau” do gigante van Gogh. Uma viagem de descrição fidelíssima!

 

Adair, estou me sentindo com uma vontade imensa de viajar…”

 

 

Obrigada, amigo Pedro por condensar quase que o conteúdo inteiro do livro em tão poucas linhas conseguindo dar ao leitor um leve apanhado do que irá, no miolo, encontrar.

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