Intervenção militar já?

Charge do cartunista Laerte publicada no jornal Folha de S.Paulo/Reprodução

Edinei Wassoaski relata o que viu em grupo de simpatizantes da intervenção                                 

 

Calma, não se trata de um texto em defesa da intervenção. Ocorre que por conta da cobertura da greve dos caminhoneiros entrei em um grupo de Whats App na quarta-feira, 30, supostamente com os grevistas de Canoinhas. O que imaginei ser um grupo para discutir as demandas dos caminhoneiros, já deixava claro a mudança de pauta no nome: Intervenção Militar. Analisando as postagens de um dia do grupo de cerca de 70 pessoas (muitos entraram e muito mais saíram na quarta depois da desmobilização dos caminhoneiros), percebe-se uma insatisfação geral com o governo, que encontrou na paralisação dos caminhoneiros o evento certo para acabar com “tudo que está aí”.  Deixando de lado a fábrica de fake news que se tornou o grupo, não é difícil simpatizar com essa insatisfação geral. Contudo, a intervenção militar precisa ser contextualizada.

 

 


    Não existe País no mundo onde uma intervenção militar não tenha descambado para a ditadura. As eleições gerais, que segundo os participantes do grupo seriam convocadas de imediato, levaram 24 anos para acontecer quando em 1964 os militares tomaram o poder. Hoje, nação nenhuma do mundo, com exceção de Venezuela, Cuba, Coreia do Norte e, talvez, a China, respeitam intervenções militares. Ademais, abrir mão de democracia não há de ser bom pra ninguém.

 

 

    Ao ler as postagens com mensagens de assustadora indignação, penso em um artigo publicado pelo psicanalista Contardo Calligaris na Folha de S.Paulo de domingo, 27. “O apocalipse nos fascina (…) Não posso matar nem o vizinho nem o cachorro dele. Não posso roubar quando o preço é alto demais. Não posso sequer ameaçar quando acho que sou vítima de um abuso qualquer. Não seria bom viver aquele momento em que o edifício começa a ruir – em que a sociedade acaba e cada um de nós recuperaria, quem sabe, sua liberdade absoluta?”

 

 

    É isso. O desnorteamento de uma sociedade doente leva a pensamentos dos mais sombrios, extravasados nas redes sociais.    “Estamos sendo atropelados por um desejo de fim da sociedade que é angustiante, mas que é nosso – um desejo tanto mais vivo que a sociedade pela qual renunciamos a nossa liberdade e a nossa selvageria é, no mínimo, medíocre”. Há uma revolta dos brasileiros contra si mesmos, escreve Vinicius Freire na mesma Folha. “Crêem que a culpa é do bode expiatório de duas cabeças que nos impede de chegar ao arco-íris. O povo das ruas vai perceber que o pote de ouro é pequeno, que redividi-lo vai exigir conversa ou conflito. Talvez descubra que boa parte do ouro não está no castelo estatal. No fundo desse castelo do ‘tudo que está aí’, enfim, tem um espelho”.

 

 

 

 

Brasileiro tem de ser estudado

Pesquisa Datafolha perguntou a 1.500 pessoas se elas eram a favor da paralisação dos caminhoneiros. 87% responderam que sim. Quando se pergunta se o entrevistado é a favor de cortes no orçamento e/ou aumento de impostos para atender as reivindicações, os mesmos 87% respondem que não. E vai tirar o dinheiro de onde?

 

 

“Às vezes a renovação não é a melhor coisa”

do vereador Célio Galeski (PR), ao criticar quem xinga os políticos nas redes sociais, mas que não se candidata. “Quem quer uma vaga aqui, que conquiste”, disse

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PASSOU POR AQUI



O presidente do Tribunal de Justiça de SC, Rodrigo Collaço, empossou na segunda-feira, 28, o novo desembargador da Corte, Luiz Antônio Zanini Fornerolli (foto), que atuou por cerca de dois anos como juiz da comarca de Canoinhas. Com um discurso centrado, o magistrado abordou a carreira jurídica como uma busca por essência capaz de provocar verdadeira alquimia pela paz social.

 

 

Vereadores indignados

Vereadores de Canoinhas soltaram o verbo por mais de uma hora contra um internauta que publicou no Facebook que eles seriam “da mesma corja dos políticos corruptos” e que teriam sido hostilizados ao tentar faturar politicamente nos protestos dos caminhoneiros.

O mais indignado foi o presidente da Casa, Mario Erzinger (PR), mas os demais não deixaram por menos. A maioria promete processar o cidadão que não teve nome citado. Eles entendem que a crítica ao trabalho dos vereadores é válida e um direito de cada cidadão, mas acusações sem provas se resolvem na Justiça.

 

 

TENTATIVA DE DIÁLOGO: Agoniados com os entraves na produção de suas respectivas indústrias, empresários canoinhenses tentaram argumentar com os caminhoneiros grevistas na terça-feira, 29. Não teve conversa. A paralisação continuou, sendo dissolvida somente na quarta-feira, 30, depois de medida judicial.

 

 

MDB mostra força

O MDB ainda rumina o domínio do deputado estadual Antonio Aguiar (PSD) sobre os cargos do Governo do Estado na região. Viu no fechamento da ADR Canoinhas a chance de mostrar suas garras. Dessa forma, conseguiu emplacar dois nomes da sigla naADR Mafra. Claudio Mathias assume a gerência de Saúde e a jornalista Karla Brey a assessoria de imprensa. Mathias, que é de Canoinhas e até agora respondia pela Secretaria de Saúde de Major Vieira, promete ficar dois dias  da semana despachando em Canoinhas.

 

 RÁPIDAS

ADIADO: Depois do fechamento da coluna, o MDB adiou para junho a reunião que deveria ter ocorrida no sábado, 26. O motivo do adiamento foi a greve dos caminhoneiros.

 

SER…: Vereador Marco Antonio de Souza (MDB), que votou contra o projeto que cria cargos em Três Barras, tem dois apadrinhados no 1º escalão do governo com salários bem generosos.

 

OU NÃO SER: Os dois são efetivos no Município, mas foram indicados por ele para os cargos comissionados. Souza diz que não pediu cargo nenhum. O prefeito foi quem deu.

 

FAZ FALTA: A greve dos caminhoneiros evidenciou a necessidade de uma processadora de leite em Canoinhas.

 

DEPENDE DE CAMINHÃO: Todo o leite produzido aqui é transportado para o oeste.

 

PRECAVIDO: Orildo Severgnini (MDB) foi o primeiro prefeito a decretar calamidade. “Já fui caminhoneiro, sabia que ia dar nisso”, afirmou.

 

PRA QUE SERVE O FUNDO PARTIDÁRIO: O presidenciável Ciro Gomes recebe salário de R$ 27 mil do partido.

 

PRA QUE SERVE 2: A ex-presidente Dilma também recebe R$ 19 mil do mesmo fundo. Além desse, tem outro fundo, o eleitoral. Tudo dinheiro nosso.

 

PERGUNTA PERTINENTE: 

Há chance de novas manifestações tão grandes quanto a dos caminhoneiros acontecer?

 

Deixe seu comentário:

Top