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“Inovar é necessário”, diz pré-candidato a reitoria da UnC

Reinaldo de Lima Jr/Divulgação

Reinaldo de Lima Jr deve ser candidato concorrendo com a atual reitora da instituição                                      

 

O Ministério Público de Santa Catarina endossou recentemente a decisão do Conselho Universitário (Consun) da Universidade do Contestado (UnC) de autorizar a atual reitora Solange Sprandel da Silva a concorrer a reeleição. Apesar de ter manobrado nos bastidores para que o Consun tomasse tal decisão, Solange não confirma a candidatura.

 

O processo eleitoral ainda não foi deflagrado, mas já suscita movimentação de oposição. Professor da UnC e contador, Reinaldo de Lima Junior já declarou pré-candidatura. Quer representar o campus de Canoinhas, mas trabalhar por todos os campi. Na condição de pré-candidato, ele concedeu a seguinte entrevista ao JMais:

 

 

Descreva sua trajetória na UnC.

Minha trajetória na UnC iniciou-se em 1997. Neste ano fui aprovado no vestibular para cursar Ciências Contábeis, pois já possuía o título de Técnico em Contabilidade pelo Colégio Estadual Coronel Cid Gonzaga de Porto União. Colei grau em Ciências Contábeis na UnC em 2001, pois naquele período o curso tinha duração de 5 anos. Ainda em 2001 iniciei a pós-graduação Lato Sensu, em Contabilidade Gerencial e Administração Financeira, também na UnC, concluindo em 2002. Em 2003 fui contratado pela UnC Canoinhas como professor e permaneço até hoje. Neste período ministrei aulas nos cursos de Ciências Contábeis, Administração de Empresas, Tecnologia em Gestão Pública e Tecnologia em Marketing, além de aulas nos cursos de pós-graduação (Lato Sensu) em Canoinhas e Mafra. Neste sentido, sou UnC de formação. Também ocupei o cargo de vice-coordenador (quando existia esta função) e posteriormente coordenador do Curso de Ciências Contábeis. Atualmente sou professor do Curso de Ciências Contábeis e presidente do Núcleo Docente Estruturante do mesmo curso.

 

 

 

Neste ano completamos dez anos de unificação dos CNPJs dos campi da UnC. Que balanço faz desse processo?

O Processo de Unificação da UnC, iniciou em 2009, por uma exigência do Ministério Público. Em uma determinada reunião estiveram presentes os dirigentes da UnC, representante do Conselho Estadual de Educação, promotores de Justiças das Comarcas (da UnC), onde foi apresentado todo o contexto de necessidade de adequação do formato jurídico/organizacional da UnC. Todo o processo foi orientado e supervisionado pelo Ministério Público. Cabe destacar que foram realizadas auditorias em todas as Fundações e diante do parecer dos auditores, os gestores daquele período, com o aval da Assembleia das Fundações, optaram pela permanência do CNPJ da Fundação da UnC de Mafra. Com relação ao reflexo da unificação temos que destacar alguns pontos. a) O formato utilizado pela UnC antes da unificação, não era mais aceito pelo Ministério Público, desta forma era necessário fazer algo, ou seja, regularizar aquela situação jurídica do momento; b) As antigas Fundações, ao meu ver, possuíam duas opções, unificar ou desvincular daquele sistema, pode-se citar como exemplo a Fundação de Caçador, que seguiu a segunda opção. Entendo que a UnC unificada se fortaleceu, pois meu pensamento, seja na Universidade ou fora dela, é de que juntos somos fortes, separados perdemos força. Entendo também, que os gestores daquele período tinham suas razões plausíveis para unificar.Lembro também, que ocorreu a aprovação pelo legislativo dos municípios, pois as Fundações tinham sido instituídas pelos municípios. Então se a UnC Canoinhas, ou qualquer outro campi universitário tivesse seguido o caminho de Caçador, não sabemos se hoje estaríamos certos da decisão tomada ou lamentando o erro cometido. A decisão foi tomada, certa ou errada, temos que seguir, fortalecendo a Instituição, reconhecendo toda a contribuição que ela tem realizado nos municípios. Contribuição com o desenvolvimento dos municípios. Lembrando sempre, que a UnC é da sociedade, ou seja, a UnC é nossa, pois é uma Fundação. Então ela é uma pessoa jurídica, sem fins econômicos ou lucrativos, que se formam a partir da existência de um patrimônio, para servir a um objetivo específico, voltado as causas de interesse público.

 

 

 

Qual análise faz da gestão da atual reitora?

Acredito que professora Solange não mede esforços para fortalecer a UnC. Entretanto não me cabe julgar a gestão dela ou qualquer outro gestor, seja na UnC ou fora dela. Não sou oposição a atual gestão, ao contrário, gostaria de participar efetivamente da próxima gestão, para continuar o trabalho realizado pela equipe hoje existente. Pois não se pode simplesmente ignorar o trabalho já realizado por todas as pessoas que passaram pela UnC. Esta instituição tem mais de quatro décadas, muito esforço foi destinado para a UnC ser o que é. Desta forma, entendo que renovar é preciso, inovar é necessário, não só na UnC como em qualquer outra entidade.

 

 

 

Concorda com a alteração do estatuto da Fundação que permite que ela se candidate a reeleição?

Quanto a alteração do estatuto, o Ministério Público validou. Como mencionei a fundação é acompanhada e fiscalizada pelo Ministério Público, inclusive com previsão estatutária para essa fiscalização. Neste sentido, se o Ministério Público validou sua alteração é por que não existe nenhuma irregularidade. Quanto à reeleição, cabe destacar que este procedimento adotado no Brasil, em diferentes locais, poderia ser chamado como um mal desnecessário para a democracia. Pois, interpreto este processo de duas formas; 1) Sendo o gestor (independente de entidade ou qualquer outro local), um excelente profissional. Competente, dinâmico, ético e com as demais características positivas que o bom líder deve possuir; ou 2) Totalmente ao contrário da primeira, ou seja, apenas mais uma pessoa com vontade de comandar, porém sem capacidade para tal. Em tese, reeleição é uma proposta boa. Dá a oportunidade de votar novamente em um gestor que se julga eficiente e eficaz. Para o gestor, serve de estímulo para que faça um bom governo e, com isso, seja premiado pelo seu grupo com mais um mandato.

Ficou famosa a frase de Orestes Quércia dizendo após conseguir eleger Luís Antônio Fleury Filho: “Quebrei o Estado, mas fiz meu sucessor”. No meio político, cabe uma análise mais profunda, pois em 2016 tínhamos a seguinte informação: Dos 95 governadores que tentaram a reeleição desde 1998, 61 conseguiram a vitória – o equivalente a 64%. Entre os prefeitos de capitais, o índice sobe para 84%, com 43 dos 51 candidatos obtendo sucesso desde 2000. Desde 1990, quando se intensificaram as permissões para a reeleição nos países da América Latina, somente dois candidatos a um segundo mandato presidencial foram derrotados: Daniel Ortega, na Nicarágua, em 1990, e Hipólito Mejía, na República Dominicana, em 2004. Na América do Sul, os presidentes venceram todas as 17 reeleições.

Pode-se perceber que a possibilidade da reeleição é “quase” a recondução automática ao cargo.

Levantamentos como este, do Senado Federal, com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), são motivos para avaliar a reeleição de forma negativa e para justificar a sua inclusão no debate sobre uma reforma política.Não há consenso sobre as vantagens e desvantagens da reeleição; e talvez essa discussão seja irrelevante diante de tantos outros desafios do sistema.



Pois bem, sabemos que é fundamental para a democracia a alternância de “poder”. “Quando a alternância de poder não acontece, abrem-se precedentes a comportamentos oportunistas. Corre-se o risco de que avanços ou um legado positivo sejam colocados em xeque”. Cabe frisar, que NÃO estou afirmando que isto pode ocorrer na UnC. Espero que nunca ocorra.

“Uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave”. (Carlos Drummond de Andrade); “A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações”. (Winston Churchill).

 

 

 

A justificativa dos apoiadores da atual reitora é que ela fez um bom trabalho e que esse trabalho merece continuidade. Concorda?

Não tenho o habito de julgar pessoas, mas sim resultados. Entretanto acredito que seus apoiadores devem ter razões para tal apoio. Na UnC, tivemos seis Reitores, sendo: a) 1991 a 1998 – AntonioElizioPazeto (Caçador); b) 1998 a 2002 – Mário Bandiera (Caçador); c) 2002 a 2006 – Gaston Mário ZazamajouBojarski (Canoinhas); d) 2006 a 2010 – Werner José Bertoldi (Curitibanos); e) 2010 a 2014 – José Alceu Valério (Mafra); 2014 a 2018 – Solange Salete S. da Silva (Concórdia). Todos estes realizaram um bom trabalho, com certeza todos acertaram e erraram. E sempre o reitor seguinte, imagino eu, tentou melhorar, evoluir. Por isto a renovação é importante. Penso que a renovação permite a correção de possíveis falhas realizadas pelos gestores anteriores, em contrapartida melhorar o que está sendo realizado de positivo.

 

 

 

 

O que o leva a se candidatar a reitor?

Muitas pessoas estão fazendo esta pergunta. Pois eu poderia ser um professor horista (trabalhar durante a noite na UnC) e durante o dia estar à frente de minha empresa (Assecont Org. Contábeis Ltda) que atualmente possui 34 colaboradores, com clientes em diversas cidades, porém, a resposta vai muito além, pois me sinto capaz em exercer esta função. Quem sabe em alguns aspectos de forma diferente da atual gestão, mas com certeza, com as melhores das boas intenções. Também sou uma pessoa com muita vontade de empreender, inovar fazer diferente e fazer a diferença. Quem me conhece, convive comigo,sabe exatamente do que eu estou falando. As entidades, os processos em todos os aspectos precisam ser melhorados, atualizados. Percebo que hoje a sociedade brasileira está desmotivada, estamos nos declarando derrotados. Refiro-me em todos os aspectos, muito além da UnC. Também gostaria de contribuir, implantando uma gestão diferenciada da tradicional. Também quero frisar que esta inciativa surgiu fora da Universidade, participo de diversas entidades (voluntariamente) e este apoio da sociedade de Canoinhas e região fez com que eu tomasse esta decisão e colocasse meu nome como pré-candidato a reitor. Se observar o ciclo de reitores já mencionados, agora seria a vez de Canoinhas, já que Caçador não faz mais parte deste processo. Canoinhas merece, Canoinhas pode.

 

 

Tem conseguido apoio?

Tenho muito apoio da sociedade, posso citar diversas entidades do Planalto Norte Catarinense, Poder Executivo e Legislativo de diversos municípios da região. E estamos conseguindo apoio da comunidade acadêmica. Acredito que quando deflagrar o processo eleitoral, será possível apresentar nosso projeto e aísim a comunidade vai conhecer nossas intenções.

 

 

Conversou com a atual reitora? Ela chegou a te fazer alguma proposta de parceria?

Conversei. Fiz questão de informá-la desta minha disposição, não só ela como todos os dirigentes da instituição. Entendo e respeito muito bem a hierarquia da UnC e por esta razão não poupei esforços para dizer que não sou um revoltado ou oposição. Minha intenção é contribuir, somar. Quanto a uma possível parceria, não chegamos a conversar sobre o assunto, entretanto sou o único pré-candidato declarado na Universidade. Com certeza teremos outros, mas atualmente pelo que sei sou o único, nem mesmo a professora Solange se declarou candidata à reeleição.

 

 

Qual a importância de Canoinhas ter um reitor que trabalhe justamente aqui?

Temos de deixar claroque a sede da Reitoria não vai mudar, vai continuar sendo Mafra, porém o reitor seria de Canoinhas. Com certeza é muito importante para o município. Como muitas pessoas comentam que a Universidade é uma “fábrica sem chaminé” Canoinhas só tem a ganhar. Como uma importância similar, pode-se comparar a necessidade de Canoinhas ter um deputado estadual, um deputado federal é muito importante possuir um reitor também.Destaco que o reitor não vai olhar apenas para o seu município, mas sim para todosos municípios onde a UnC está inserida. Lembro que a UnC conta com uma estrutura deliberativa e a uma executiva. A primeira é o Conselho Universitário (Consun) e a segunda, ou seja, a executiva, é a Reitoria. A reitoria é composta pelo reitor, vice-reitor e mais três pró-reitores. Entendo que estes cargos devem ser distribuídos em todos os campi universitários. Canoinhas possui o mestrado em Desenvolvimento Regional, inclusive, aproveito para parabenizar aos envolvidos neste programa, pois foi avaliado pela Capes com conceito 4, um ótimo conceito. Então ouso a dizer, que Canoinhas contribuiu muito para a UnC ser e permanecer com o título de Universidade, pois sem o mestrado quem sabe isto seria impossível.

 

 

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