Hanna e seu amor secreto

Casamento na Igreja de Rio Claro, em Major Vieira, na década de 1940/Acervo de Fernando Tokarski

Conheça mais uma fascinante história do passado que tem Major Vieira como cenário                                               

 

 Willian Roscamp*

 

Durante e após a primeira guerra mundial o Brasil recebeu diversos imigrantes vindos dos diversos países europeus, predominantemente italianos, alemães, poloneses e ucranianos. E, foi assim que a família de Hanna veio para o Brasil, vindo a morar em uma cidadezinha do interior de Santa Catarina, na época chamada de Colônia Vieira, posteriormente denominada, simplesmente como Major Vieira.


 

 

Naquela época os meios de comunicação em Colônia Vieira eram precários e o transporte era feito através de carroça, pelas estradas de terra, que com as chuvas, viravam barro. Muitas vezes as informações chegavam na vila central, mas não em localidades do interior, onde morava a família de Hanna, em um sítio distante do centro da cidade, que, residindo na zona rural tinham como principal renda a agricultura.

 

 

Alguns anos se passaram e após a difícil adaptação, a família foi aumentando. E como os filhos também foram crescendo começaram os casamentos, que naquela época muitos ainda eram, em sua predominância, arranjados, principalmente para as meninas. Um costume que atualmente na região ocidental do planeta não mais se tem registro.

 

 

E foi chegada a época de uma das filhas da família se casar, porém como o casamento era arranjado, assim como o de suas irmãs, ela não conhecia o noivo, que vinha de outro estado.

 

 

A preparação da festa começa, e casamento de interior é bom até hoje, porque a festa começa, mas demora para acabar e em alguns casos a festa durava dois ou três dias. A decoração era realizada pelos próprios integrantes da família e amigos, tudo muito simples, mas cuidadosamente produzido. A comida é o melhor da festa para os convidados, uma grande variedade de carnes, saladas e bebidas, além da alegre música ao vivo.

 

 

Hanna já se sentia ansiosa para conhecer o noivo, pois faltava apenas uma semana para o casamento e quase tudo estava pronto para a festança. Porém, uma terrível notícia acabou abalando a todos e, principalmente, a noiva. Como os meios de transporte eram precários e o noivo teve que sair algumas semanas antes de sua cidade para ir ao casamento, no trajeto ele acabou sofrendo um mal súbito e veio a falecer. A notícia chegou na semana do casamento na casa de Hanna.

 



 

Para ela talvez foi um alívio, pois Hanna guardava um segredo que jamais tinha revelado – ela amava outro rapaz da sua cidade, que tinha conversado poucas vezes e morria de encantos. Mas também motivo de preocupação, pois seus pais haviam gasto um bom dinheiro na preparação do casamento.

 

 

Hanna se sentia livre para contar seu amor por Haskel (que em português pode ser traduzido para Ezequiel). Hanna e Haskel tomaram coragem e assumiram o romance para a família dela que ao receber a notícia não fez bom grado, mas como a festa já estava paga e totalmente preparada resolveram aproveitar e casá-los de uma vez.

 

 

O casamento aconteceu e a festa foi grande. Todos se divertiram e a festa durou dois dias.

 

 

Hanna e Haskel após alguns anos de casamento e já com alguns filhos, vendo a precariedade da agricultura decidiram mudar-se para uma cidade próxima, Canoinhas. Ali acreditavam que seus filhos teriam melhores condições de vida e mais oportunidades.

 

 

Permanecem casados até hoje, mas Hanna na terra e Haskel já no céu. No entanto, Hanna assume que, infelizmente incentivada por uma tragédia, fez uma excelente negociação com seus pais no momento de seu casamento.

 

 

 Willian Roscamp, casado, trabalha como consultor de Marketing Digital e mora em Três Barras

 

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