Enfim, na Expo67

Cidade de Montreal/Divulgação

Adair Dittrich entra no Canadá e vive experiência inebriante                                             

 

Desde Nova Iorque eu já vinha me deleitando com os limites mais extremos das paisagens que beiravam a rodovia. Ao meu arsenal de compras eu acrescentara um dos objetos de desejo que me acompanhavam desde a adolescência. Adquirira, em uma loja de equipamentos fotográficos, um binóculo de longo alcance. E as montanhas que se estendiam ao longe, para bem perto de meus olhos chegavam. Com detalhes.

 

 


Desfilavam a meu lado, em todos os tons do verde, campos e florestas e as muitas árvores, de grande envergadura, as verdadeiras mães de todos os Pinus. Aliás, avisavam-se Pinus das mais variadas espécies. Lá eu vi imensas plantações do elliottii, o pinheiro americano que agora se encontra disseminado por toda a região de nosso planalto norte. Mas, também de muitas outras variedades, entre as quais o lindo taeda, com suas franjas descendo dos galhos como se fossem verdes cabeleiras.

 

 

Carvalhos de múltiplas espécies desfilavam também ante os meus olhos, aliás, antes os meus binóculos.

 

Green Mountains

A estrada corria, durante muitos quilômetros, por terreno acidentado o que conferia a diversificação da paisagem. Colinas distantes sobressaíam-se no horizonte. Passávamos pelas Green Mountains. Doutras vezes a rodovia avizinhava-se das águas azuis do lago George, um lago estreito até, mas muito longo, na base das montanhas Adirondack. A parte mais norte deste lago recheado de ilhas estende-se até o Canadá. Mas eu só o via quando as curvas da estrada chegavam próximas a ele.

 

 

 

Havíamos deixado o nosso pouso na região de Newburg e rodamos, sem pressa, rumo a Montreal. O percurso era longo, mas planejáramos lá chegar, com tempo para desfrutarmos, ainda naquela noite, de algumas atrações que a Expo67 tinha para oferecer.

 

 

Os postos de abastecimento de combustível, em todas as rodovias por onde passáramos, tinham sempre, à disposição dos viajantes, mapas detalhados de seu percurso. Ao abrir o que mostrava o trecho que agora percorríamos, entre tantas orientações, algo a mais atraiu minha atenção. Alertava para a distância mínima que deveria ser observada entre dois veículos. À margem da via havia pequenos postes, com um metro de altura, talvez. Não tinham a finalidade de marcar as milhas, mas, a de marcar a distância que os veículos deveriam guardar entre si. E alertavam para que esta distância nunca fosse inferior a de dois desses segmentos, chamados de inter-espaços.

 

 

Atravessar a fronteira para entrar no Canadá foi muito simples. Bastava que se apresentasse o passaporte e o visto de entrada para os Estados Unidos. E assim fluíam os veículos pela rodovia, com a maior confiança entre todos os homens do mundo…

 

 

Quanto mais para o norte seguíamos, mas tarde o anoitecer chegava. Geraldo, como sempre, meticuloso e organizado, já havia feito a reserva para o nosso ponto de pouso em Montreal.

 

Ilha de Notre Dame

O local escolhido não ficava muito longe da Ilha de Notre Dame, local que sediava os pavilhões da grande exposição mundial de 1967. Em meio a um bosque de abetos e pinheiros encontrava-se a nossa pousada. Com muitos chalés feitos de troncos de madeira, horizontalmente colocados uns sobre os outros. Bucólico, aconchegante, com o aroma de todas aquelas árvores no ar.

 



 

Após acomodarmo-nos em nossos aposentos, partimos para a Ilha de Notre Dame. Adquirimos nossos passes, ao custo de dois dólares e meio para um dia. Podia-se adquirir um para sete dias ao valor de doze dólares, o que não compensaria para nós, pelos poucos dias que lá permaneceríamos. Ante nossos olhos estupefatos, ver o quê primeiramente?  Recebemos, junto com os passes, um fôlder com o mapa dos pavilhões dos países que, para aquela exposição trouxeram mostras de suas produções, cultura e arte. Também haveria, para ser visitado, os Pavilhões temáticos como “O Homem e o seu Mundo”, “O Homem, o Criador”, “O Homem e o Ártico” e ‘O Homem e o Oceano”.

 

 

Desnecessário dizer que, nem em um mês, poderíamos visitar a todos. Nessa primeira noite até que ficamos juntos, passeando e olhando a parte exterior. De um deslumbramento sem palavras para ser descrito foi o espetáculo das Águas Dançantes. À época, a mais alta fonte de águas do mundo, com 67 metros de altura. Era iluminada por 87 projetores pulsantes que reproduziam todas as cores do arco-íris. E, nas águas plácidas do lago multiplicava-se, em reflexos inenarráveis, todo aquele espetáculo coreográfico. Espelhavam-se todos os movimentos, com todas as nuanças do espectro de cores. Boquiabertos, por muito tempo, ali ficamos.

 

 

Imprescindível a busca de um local para jantarmos. Cada pavilhão com sua comida típica. Para a nossa primeira refeição em terras canadenses, escolhemos aquele que representava a cidade de Montreal e a região de Québec. Uma comida típica da região.

 

 

Provamos o prato indicado pelo Chef, o famoso Pastrami Montrealense e a Poutine, que é a batata frita com queijo coalho adicionada de caldo de carne e algumas especiarias. Talvez a fome, talvez a novidade, mas achamos tudo muito saboroso. E, para completar, experimentamos a cerveja canadense.

 

 

Fomos então conhecer o pavilhão dos Estados Unidos. Uma parafernália de objetos de sua indústria eletroeletrônica. Em todos os cantos a novidade maior, os televisores coloridos, mostrando, ao vivo, tudo o que por lá circulasse. Os potentes automóveis. Minúcias de artigos de mil e uma utilidades. Uma arquitetura toda em vidro e aço, no formato de um globo. Não era o mais belo, mas, talvez, o de maior impacto pelo modo como as pessoas circulavam em seu interior pelas escadarias espiraladas.

 

 

A noite fora curta para o nosso descanso. Porque, bem cedinho, já para o café da manhã, estávamos nós circulando pelo território da Expo67. Como a mim interessavam atrações diferentes das dos meus amigos, separamo-nos. Então, logo após o café, visitei o território chamado “O Homem e seu Mundo”. Abrangia espaços de arte, literatura, ciência, medicina, conhecimentos do homem pela face da terra, desde épocas imemoriais. Muitas fotos, filmes que eram exibidos. Passagens por tempos remotos. Não me demorei muito ali.

 

 

A minha intenção era a de que, quando fosse chegada a hora do almoço eu estivesse dentro do Pavilhão da Italia. Então, para ele eu meu dirigi. Foi o encanto da viagem, do passeio. Entrei na terra de meus Nonnos. Tudo lá era arte e encantamento. Não só imagens em fotos e em telas. Para lá levaram réplicas das mais importantes esculturas dos artistas italianos. Também sua indústria estava em destaque. Lamborghinis, Masseratis e Ferraris reluzentes a embriagar os olhos e a alma. E a arte do vestuário. Não só a alta costura com os trajes femininos fazia sucesso. Também as roupas destinadas aos homens, confeccionadas pelos estilistas italianos, marcaram época. Os cristais de Murano. Imensos painéis mostrando imagens de grandes nomes do cinema italiano, com destaque para Vittorio de Sica e Sophia Loren.

 

 

Após percorrer quilômetros por todos aqueles espaços e perscrutar cada canto, era hora de saborear uma massa com o mais perfeito molho al sugo e de tomar uma taça de um saboroso Chianti. Ouvindo puras melodias italianas, daquelas que minha mãe cantava, interpretadas por afinadíssima orquestra. E, entre uma miríade de excelentes doces, fiquei sem saber o que escolher como sobremesa. Foi um demorado almoço. Era preciso absorver, in totum, aquele clima italiano que em tudo estava impregnado.  Porque naquelas horas eu tive a impressão de estar em plena Itália. De onde foi difícil sair.

 

 

 

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