E após as Cataratas, mais uma vez Nova Iorque

Estátua da Liberdade, em Manhattan/Arquivo

Adair Dittrich volta para a “capital do mundo”                                                                            

 

Almoçamos ao som, ou ao ronco das águas, que, dos rochedos, com estrondo, não cessam de cair. E, com a mais panorâmica visão de toda aquela imensidão aquática, viajei para uma época que só em minha imaginação poderia existir. Andava eu pela massa líquida do leito do rio, andava eu no entorno das quedas, andava eu sobre o lombo de um ágil cavalo que conhecia os caminhos entre as rochas. Imaginava-me nos mais remotos tempos, como se estivesse fazendo uma visita à ancestralidade. Eu em meio aos iroqueses. Influência do muito que vagueara por lá lendo os livros de Karl May?

 

 


Repentinamente, ouço meu nome. Foi um salto de volta para o presente. Meus amigos chamavam-me. Era hora de nosso passeio vespertino pelas cataratas.

 

 

Fomos todos conduzidos para a entrada de um túnel. Onde, novamente, recebemos as impermeáveis e grossas capas amarelas que nos protegeriam das inevitáveis névoas que poderiam nos encharcar. Caminhamos algumas dezenas de metros pela caverna artificialmente iluminada até encontrarmos a grande boca que se abre atrás das quedas. Já na saída do portal uma plataforma, não muito, mas suficientemente larga, para que por ela pudéssemos andar, sem o risco de sermos sugados pela força das águas. A segurança ali era incrível. A sensação de estar sob um mundéu liquefeito é algo que não há como descrever. A grossa cortina móvel e transparente, que, sem cessar, à minha frente, despencava-se… O ronco ensurdecedor das águas precipitando-se, continuamente, como se elas estivessem no alto de minha cabeça… As infinitas e sucessivas imagens dos arco-íris que mudavam de lugar, dependendo da incidência dos raios solares sobre as gotículas aquosas das névoas que pareciam estender-se no além.

 

 

E depois de sairmos do túnel ainda fomos dar um giro pela extensa passarela que nos deixou na maior proximidade possível da grande ferradura. Mesmo com a proteção das capas necessário foi uma grande toalha para eu me enxugar.

 

 

O resto do dia e um bom pedaço da noite ficamos a vagar por entre as mais diversas atrações que circundavam, já naquela época, o grande parque das águas que roncam.

 

Cataratas do Niágara/Arquivo

As manhãs de agosto, já com um clima quase frio naquelas latitudes, tinham em compensação um céu imensamente azul. E foi no amanhecer de um sábado ensolarado que deixamos as cidades das Cataratas de Niágara a fim de retornarmos a Nova Iorque.

 

 

Entardecera na grande cidade quando nela entramos. Já não me parecia mais tão cinza como no primeiro dia em que lá chegamos, vindos do sul.

 

 

Meus amigos iriam passar o domingo numa ilha distante algumas milhas de Manhattan. Iriam passar o dia com os pais de Mr. Robin, que era, então, o diretor da Rigesa, aqui em Três Barras. Eu conhecera a mãe de Helen, esposa de Robin, ainda quando estávamos na Carolina do Sul. Almoçáramos com a simpática senhora que nos serviu uma deliciosa refeição com um tempero maravilhoso, à moda do sul e à nossa moda também.

 

 

Não acompanhei, porém, meus amigos nesta visita aos pais de Robin. Preferi ficar em Nova Iorque, pois muita coisa por lá ainda havia para eu conhecer.

 

Catedral de St. Patrick

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas, era um domingo. De esplendoroso sol. Logo após o café da manhã, nosso primeiro ponto a ser visitado foi a Catedral de St. Patrick. Uma Catedral dedicada ao santo padroeiro da Irlanda.      

 

 

 Pelas diversas vezes em que pela Quinta Avenida eu passara, eu a via, em toda a sua imponência, ali, defronte ao Rockfeller Center, contrastando com os altíssimos arranha-céus que a ladeiam.

 

 

Após subir os degraus, inevitáveis foram os suspiros ao deparar-me com os enormes portais. O arquiteto que a concebeu colocou naquele estilo neogótico toda a sua alma e inspiração. Ela é linda. Majestosa. Com suas imponentes torres apontando aos céus. Ressalta aos olhos, mesmo estando, nos dias de hoje, encravada entre monumentais construções quadrangulares.

 



 

No altar a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Imensos, coloridos e artísticos vitrais permitindo que a luz do sol incida de maneira homogênea por toda a nave.

 

 

Creio que passei todo o tempo em que durou a celebração da Santa Missa apenas admirando as diversas obras de arte que lá se encontram.

 

 

Quando saímos da Catedral nós nos separamos. Enquanto meus amigos seguiram em direção à residência dos pais de Robin, eu fui em busca de um dos barcos que faziam os passeios em torno da ilha, com parada, claro, na Estátua da Liberdade.

 

 

Foi longo o tempo em que fiquei olhando, de dentro do barco, na distância, o aglomerado de arranha-céus. A cada ângulo uma visão diferente. O complexo das Nações Unidas parecia-me debruçado sobre as águas.

 

 

Foi um passeio diferente o da visita ao local da Estátua da Liberdade, estátua cujo nome real é “Liberdade iluminando o mundo”.

 

 

Após o retorno a Manhattan, outros locais eu precisava ver. Então fui, de imediato, ao Empire State Building. Famoso arranha-céu. Cenário de tantos filmes, de tantos romances. Uma epopeia visitá-lo. Não se tomava um elevador direto do solo ao pico. Visita guiada. De lances em lances. Até a compensação final. Ver Nova York de uma inesperada altura.

 

Biblioteca Pública de Nova Iorque

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E então era chegada a hora de visitar a Biblioteca Pública. Eu tinha ainda algumas horas antes que as suas portas se fechassem. Claro que seria apenas o tempo de fazer um giro entre as inúmeras salas, entre os corredores apinhados das mais célebres obras literárias produzidas no mundo em todos os tempos. Claro que eu não iria sentar-me e iniciar ali a leitura de um livro. Mas, sentir o especial aroma que emana daquelas estantes onde a alma de tantos está derramada em milhares de caracteres, em milhares de palavras, em milhares de sonhos, em milhares de lamentos… Só de olhar para aquelas paredes repletas de livros desloquei-me para além de páramos inimagináveis. Uma campainha avisando que as portas em alguns minutos cerrar-se-iam tirou-me do enlevo.

 

 

Tomei, então o rumo de nosso hotel. Fora um dia exaustivo. E pronta já para o jantar, no bar do hotel, ao lado da recepção, fiquei esperando que meus amigos retornassem de seu passeio dominical.

 

 

E, na segunda-feira muitas compras ainda a se fazer. Geraldo fazia parte do grupo de radioamadores daqui e um amigo dele lhe dera uma incumbência assaz complicada. Encomendara um aparelho muito especial, e de grande porte, com o qual pretendia comunicar-se, creio, com outras galáxias… Enquanto Geraldo e Regina desincumbiam-se deste embaraçoso pedido eu fui atrás de outras preciosidades para mim.

 

 

Através das páginas amarelas da grossíssima lista telefônica de Manhattan, consegui localizar o endereço de fornecedores de materiais para anestesia. Imaginem a minha felicidade sair de lá sobrecarregada com cânulas de intubação naso e oro-traqueal, com e sem balonetes, com cânulas próprias para traqueostomia, cânulas de aspiração, laringoscópio e até um manguito especial para meu já desgastado esfigmomanômetro. Um considerável carregamento. Entre procurar endereços e efetuar estas compras esgotara-se a manhã.

 

 

Logo após o almoço continuei caminhando pelas ruas e avenidas da ilha que dentro em breve eu iria deixar. Na vitrine de uma grande loja que vendia os mais variados artigos para escritório eu vi um estojo com completo material de desenho, com régua, transferidor, esquadros e nem sei mais o quê. Encantei-me com o que vi e de imediato o comprei. O inusitado então aconteceu. O vendedor, que até pareceu-me ser o proprietário do estabelecimento, queria saber se era para presente e se fosse para ser enviado para algum lugar distante ele já providenciaria a embalagem. Claro, era para um lugar distante. Era para Ouro Preto, onde meu sobrinho Sérgio era acadêmico de Engenharia Civil. O homem acondicionou tudo direitinho. Eu coloquei o endereço. Ele acrescentou os selos. E quando eu lhe perguntei onde ficava a agência de correios mais próxima, ele me levou para a frente da loja e em uma grande caixa localizada ali mesmo, na rua, colocou o pacote e afiançou-me que logo o carteiro passaria e a encomenda seguiria para o seu destino. Coisas com as quais eu não estava acostumada… Facilidades só encontradas em um mundo muito distante daquele em que vivíamos. Em que vivemos!!!

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