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A cultura do imediatismo

Leias as crônicas da semana do professor Ederson Mota                                                             

 

A CULTURA DO IMEDIATISMO

Estamos num mundo de respostas rápidas a estímulos velozes, por isso, quando percorremos as ruas da cidade não temos a preocupação de contemplar a paisagem e suas variações.

 

Se prestarmos atenção às variações existentes encontraremos velhas construções que trazem o passado para o presente, que representam histórias vivas de um tempo que não conhecemos.

 

São máquinas do tempo em seus estilos e características, que levam a imaginar seu esplendor e decadência. E são muitas estas construções antigas, abandonadas, vazias, mal cuidadas, abrigos de desocupados e moradores sem teto. Existem até prédios nessas condições, mas quem se preocupa em perpetuar essa história? Se os atuais proprietários perderam o interesse em preservá-los e mantê-los?

 

Se a cultura não se importa com tamanho acervo a céu aberto?

 

Poderiam ser locais de atração turística com potencial, auditórios, conservatórios, bibliotecas, museus, restaurantes, casas de exposição, objeto de estudos arquitetônicos, escolas e outras finalidades, mas quem possui idéias capazes de transformar esses locais?

 

Lá estão eles, abandonados, vazios, deteriorados como demonstração visível do descaso cultural marca de ignorância do país chamado Brasil.

 

E agora?  É preciso, gradativamente, restaurar essas preciosidades de valor histórico para a comunidade, com propostas de auxílio a seus reais proprietários.

 

 

QUEBRANDO REGRAS

A cultura brasileira é pródiga em quebrar regras, discordar de regulamentos, estatutos e leis que afetam a norma social.

 

É fácil perceber nas ações dos brasileiros que quebrar regras faz parte do jogo, que burlar leis e regulamentos são atitudes normais e que todos são igualmente infratores e adeptos do jeitinho de fazer as coisas.

 

Furar filas, mentir, andar pelos descaminhos, passar a conversa em pessoas humildes, deixar de cumprir obrigações comuns tais como pagar impostos, dar informações corretas, cumprir deveres, lições e tarefas escolares, a cola nas avaliações e concursos, ficar com trocos incorretos, vender seu voto… são tantas as regras rompidas. Eis o nascedouro da corrupção, das propinas, da gatunagem.

 

O processo inicia e, se der certo, prossegue e forma o caráter do indivíduo, sempre deformado, sempre encostado a benesses e permutas desonestas.

 

A estrutura familiar brasileira é pródiga de exemplos assim e a escola não tem logrado êxito na missão de transformar comportamentos e quebrar as regras da corrupção.

 

Sinal do atraso, quebrar regras tem seu preço quando o brasileiro precisa demonstrar, sem disfarces ou simulações, quem é e o que faz de verdade, quais são as suas habilidades e potencialidades?

 

A lei da sobrevivência mostra, de maneira agressiva, que regras quebradas têm um alto custo e que a consequência geralmente é o fracasso.

 

E agora? Agora é preciso aprender que regras quebradas prejudicam outras pessoas, geralmente aquelas que as respeitam.

 

 

ÍNDIOS

É melhor chamá-los de nativos, afinal invasores somos nós, e acostumar-se com suas presenças Incômodas para alguns, normal para outros.  De onde vêm? Para onde vão? Por que vieram até aqui? São perguntas sem respostas absolutas, mas o que se conhece pelos antropólogos sobre as tribos brasileiras, infelizmente, grande parte já extinta durante o processo de colonização, de que migram para terras conhecidas pelos ancestrais de tempos em tempos, pois vender balaios, cestos, arcos e flechas não os traria aqui sempre acampados no mesmo local.

 

Trazem problemas como as crianças fora de qualquer assistência e ausentes da escola, que pedem esmolas por aí e mulheres que confeccionam artesanato e se encarregam de vendê-los com uma vida insalubre em barracas, rodoviárias, sem perspectivas ou assistência mínima.

 

Por aqui, contam com a caridade alheia, refeições, cestas de alimentos e outras necessidades, mas é isso que se oferece aos verdadeiros donos do Brasil?

 

O índio brasileiro é o fiel retrato do país, atirado à própria sorte, tal como a maioria do povo brasileiro.

 

E agora? Agora é hora de preocupar-se com esse povo que faz parte da composição da nação, sem discussão.

 

 

DIAS NEVOENTOS

Há dias que a glória desaparece das ações mais simples. A culpa é do pé, esquerdo, é claro, pois sempre alguém precisa assumir a responsabilidade e por que não o pé?

 

Pneus  furados, escorregões, esquecimentos, endereços errados, equívocos, negócios que dão errado, pães que caem com a parte da geleia virada para baixo. Diz-se então que da cama não se deveria sair nesses dias, que deve-se bater na madeira para afugentar a má sorte, que sal grosso faz muito bem nesses casos e outras crenças.

 

Mas o que provocou esse mau dia, essa imperfeição, esse tormento?

 

Exatamente as boas coisas que acontecem todos os dias e não percebemos, deixamos de considerar, esquecemos com facilidade, pois se tornaram comuns no dia a dia.

 

Para quem se habituou com os acertos, qualquer mau momento significa muito.

 

Na realidade, o bem vive conosco todo o tempo, por isso a facilidade em atingir as raras decepções quando acontecem. Tempestade em copo d´água é sempre tumultuada.

 

E agora? Agora é confiar em si mesmo e acreditar na competência, o resto é nuvem passageira.

 

 

O MEDO DO FUTURO

Fala-se muito que o futuro a Deus pertence, que ninguém tem bola de cristal, que somente Nostradamus vislumbrou o amanhã, que os videntes não conseguem ver  o futuro. Daí o medo que temos dele, que é tão incerto como contar gotas de um oceano.

 

O importante não é pensar no impensável porvir, pois dele nada se sabe; como saber quem vem lá sem nenhuma noção do que surgirá?

 

Este é um mundo de especulações, de incertezas, de interrogações, por isso é tão interessante, tão desafiador, tão fascinante, tão surpreendente.

 

É como se jogássemos numa roleta sem que a pedra parasse o sorteio uma única vez, num frenético movimento contínuo feito de projetos, expectativas e esperança.

 

Não haveria graça alguma viver de modo predeterminado como defendem alguns, pois o que vale é jogar todas as fichas em si mesmo e acreditar no talento maior que é imprimir à sua vida boas experiências pelo caminho que percorrer.

 

E agora? O futuro jamais irá chegar e o aqui e o agora predominam. Respire e viva seus desígnios!

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