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Cultura das sombras

Artistas brasileiros protestam no maior festival de cinema do mundo contra a extinção do Ministério da Cultura/Divulgação

Leia nova coluna do professor Ederson Mota                                                                                   

 

“Quando a cultura se torna instrumento de poder, os abutres tomam de assalto a criatividade latente.” (Elmo)

 

A burocracia discricionária mais uma vez saiu vitoriosa no caso da implantação de um ministério específico para a cultura, sinal do sistemático atraso nacional. Mas os defensores do antigo aparelhamento ideológico certamente têm oceanos de argumentos sobre a questão, porém há um esquecimento de linhas diretivas fundamentais, tais como: é impossível dissociar cultura de educação; torna-se inviável desenvolver políticas culturais generalizadas nessa imensa nação, considerando a diversidade e a complexidade de sua teia estrutural e separar  ações culturais significa excluir e negar acesso à maior e mais carente parte da população brasileira. O que constatamos até então são os feudos culturais privilegiados, verdadeiras oligarquias formadas por figuras famosas e midiáticas, principalmente consagrados cantores, compositores e cineastas profissionais, que se estabeleceram confortavelmente em tronos e territórios preestabelecidos pelos detentores do poder, como se o mundo cultural nacional fosse propriedade particular, sempre regado a polpudas verbas, frutos da desproporcional carga tributária nacional. Os “donos dessa cultura” empobreceram significativamente a produção da autêntica cultura, amadorística, espontânea, natural, oriunda dos pontos mais longínquos do país, mas importante, típica, retrato fiel da sociedade brasileira, vigorosa, colorida e transparente. O que sentimos com as atuais políticas culturais é indignação por não respeitar as diferenças locais e regionais, as etnias, os costumes particularizados, as manifestações das tradições enraizadas nas origens do povo do Brasil, tais como canções, poesias, folguedos, religiosidade, ritmos, encenações, vestuários, hábitos alimentares, comportamentos, a capacidade criativa e, especialmente, a interação natural cultura-educação, uma lacuna a ser preenchida pela história, no futuro, certamente.

No momento, somos convidados a aceitar a centralização como opção, bem como os vícios e exclusões promovidos pela tentativa de unificar pontos tão distantes e enigmáticos, próprios da cultura e da educação, carências nacionais endêmicas, pertencentes a um “país do futuro”, que tenta ignorar o seu glorioso passado e deseduca, por omissão e incompetência, o seu insubstituível capital humano- a gente brasileira.

“Povo culto e educado não precisa de assistencialismo, mas de cultura diversificada, exemplos edificantes e mestres talentosos.” 

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