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As melhores séries de 2016

Stranger Things foi um dos grandes destaques do ano/Divulgação

Colunista Tony Goes elege o que viu de melhor neste ano                                                         

OK, o ano não foi tão ruim assim na TV – ou melhor, nas séries, porque acho que só a geração da minha mãe ainda diz que “vê TV”. 2016 foi marcado pela chegada dos aplicativos dos grandes canais, embora só a Netflix já tenha um número considerável de assinantes. Mas, daqui a um ano. mais gente vai ter os apps da HBO, Fox e Amazon, além da já manjada Globo Play, e menos gente vai continuar pagando pelos exorbitantes pacotes da TV a cabo. O interessante é que não é só o jeito de consumir que está mudando. Novelas, variedades e realities estão em baixa. Séries continuam em alta. Por isto que, mais uma vez, minha lista só tem séries e minisséries. Em ordem alfabética:

 

THE AFFAIR (Netflix) – Ouvi falar muito bem quando a primeira temporada estreou nos Estados Unidos há dois anos, mas só consegui ver depois que chegou ao Netflix brasileiro. Era tudo verdade. “The Affair”, ao contar o mesmo caso extraconjugal sob dois pontos de vista diferentes, inova ao praticamente transformar o “stroytelling” num de seus personagens. Já sei que, nas próximas temporadas, esses pontos de vista se multiplicarão. E ainda tem uma abertura sensacional, ao som da inquietante “Container” de Fiona Apple.

 

AMERICAN CRIME STORY: THE PEOPLE V. O.J. SIMPSON (FX) – Ninguém precisa ignorar o final da história para apreciar essa minissérie que fez um strike nos últimos Emmys. Os únicos elos fracos são Cuba Gooding Jr., que não tem um pingo do porte majestoso do verdadeiro O.J., e John Travolta, mais canastra do que nunca. Todo o resto é ótimo, e a reconstituição do crime mais célebre dos anos 90 – que terminou com a absolvição de um culpado mais do que óbvio – cabe feito uma luva na explicação desses dias que correm.

 

THE CROWN (Netflix) – “Downton Abbey”? O que é “Downton Abbey”? Qualquer lembrança da série britânica que marcou os últimos cinco anos se evaporou da minha cabeça depois que a coroa nela pousou. Com produção suntuosa, o roteirista Peter Morgan – o mesmo do filme “A Rainha”- consegue transformar em folhetim os primeiros anos de reinado da monarca mais discreta dos tempos modernos. Do elenco fabuloso, meus favoritos são Eileen Atkins (a apavorante rainha-avó, Mary) e Vanessa Kirby, uma sósia melhorada da infeliz princesa Margaret.

 

DIVORCE (HBO) – Sarah Jessica Parker não é uma atriz versátil. Sua personagem nesta comédia ácida lembra a Carrie de “Sex and the City” até nos trejeitos e nas respiradas. Inclusive dá para desconfiar que se trata de uma continuação: o que teria acontecido com a colunista mais hip de Nova York, se ela tivesse se casado com o oposto do Mr. Big? Um desastre, como o título da série já entrega. “Divorce” foi malhadíssima pela crítica americana, mas tem exatamente o tipo de humor que eu queria estar escrevendo. Pra você ver como eu sou mau.

 

JUSTIÇA (Globo) – A maior emissora do Brasil nunca investiu tanto em séries e minisséries, consciente que está do ocaso das telenovelas. Quase tudo foi bom, mas “Justiça” atingiu o status de obra-prima. Cada dia da semana focava num protagonista diferente, e as ligações entre eles fizeram perdoar os furos do roteiro. Com interpretações antológicas (Débora Bloch nunca esteve melhor) e direção primorosa, já é um marco da TV brasileira. E a Globo ainda marcou outro golaço com a pioneira trepada gay de “Liberdade, Liberdade”.

 

MARSEILLE (Netflix) – A primeira produção francesa do Netflix decepcionou quem esperava uma trama intrincada à la “House of Cards”. O controverso prefeito de Marselha que se vê ameaçado por seu próprio pupilo, interpretado pelo onipresente Gérard Depardieu, não é páreo para as maldades de Frank Underwood. Mas as paisagens bonitas da Côte dÁzur e as mulheres fatais garantiram que a série tivesse sabor próprio. Também amei o tema de abertura, cantado em árabe. Só não sei se o meu interesse é suficiente para uma segunda temporada.

 

#ME CHAMA DE BRUNA (Fox) – Perdão, “3%”, mas é assim que se gasta direito um orçamento. A mais nova encarnação de Bruna Surfistinha teve tudo o que o badalado seriado brasileiro de ficção científica não teve: roteiro, elenco, direção, qualidade técnica e artística. Saiu bem mais realista do que o filme baseado nas memórias da prostitua mais famosa do Brasil. Dá quase que para sentir o cheiro de mofo y otras cositas más do “privê” onde se passa a maior parte da ação. E como é que Carla Ribas ainda não ganhou um papel de destaque na Globo?

 

 

THE NIGHT OF (HBO) – Poucos set-ups são mais batidos do que o da pessoa que acorda com um cadáver ensanguentado ao seu lado. A graça dessa minissérie era que o protagonista – um taxista de Nova York de origem paquistanesa – realmente tinha dúvidas se ele era mesmo o assassino. Além disso, o sujeito era muçulmano – uma camada a mais de complicações políticas num caso já bastante escabroso. Cereja do bolo: John Turturro, que a essa altura deveria ser muito mais premiado do que de fato é, faz um advogado pouco convencional.

 

STRANGER THINGS (Netflix) – Entre o final de julho e o começo de agosto, pareceu que o planeta inteiro estava vendo o mesmo programa. “Stranger Things” juntou a humanidade diante da TV porque tocou diretamente no nosso DNA emocional coletivo. Dramaticamente, a série não trazia grandes inovações. Esteticamente, menos ainda: era um pastiche dos anos 1980, especialmente do que lembramos da década por causa dos filmes de Steven Spielberg. Mas aí é que estava sua graça. E o nariz sangrando da Eleven ainda se tornou meme.

 

WESTWORLD (HBO) – A HBO precisa encontrar logo uma substituta para “Game of Thrones”, que só vai ter mais duas minitemporadas. Mas será que é “Westworld”, que consegue ser ainda mais cara? A saga futurista dos robôs ultraperfeitos que se revoltam contra seus criadores ganha relevância quando pensamos que é uma metáfora sobre o empoderamento feminino (os dois personagens principais são mulheres). Mas, apesar da boa audiência, “Westworld” não rendeu bochicho. O canal demorou para bater o martelo, e a série só volta em 2018.

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