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Foto: Reunião do PMDB realizada em Canoinhas/Divulgação

A presença do deputado estadual Antonio Aguiar no encontro organizado pelo federal Mauro Mariani na sexta-feira, 21, colocou pimenta no caldo eleitoral que vem engrossando cada vez mais na toca pé-vermelha.
Aguiar diz que foi lá apenas para louvar a democracia, que permite divergências dentro do partido. Mas não colou.
Quem foi no encontro (uns falam em 500, outros em 1.000) está com Mauro e não abre. A força da outra ala, que defende apoio a Raimundo Colombo, só vai ser conhecida quando Luiz Henrique e Pinho Moreira reunirem a militância. Fato é que, dos dois lados, o discurso tem sido cada vez mais ríspido.
Interessante perceber a presença do prefeito e do vice de Canoinhas, Beto Faria e Wilson Pereira, que até aqui tem jogado para os dois lados. Afinal, no frigir dos ovos vão apoiar quem? Leoberto Weinert, mentor de Faria e cotado como pré-candidato a deputado federal no caso de Mariani ir ao governo, parece propenso a apoiar Mariani incondicionalmente, ainda mais depois do entrevero com Aguiar durante a eleição
do diretório do partido.
Por mais que Mariani e Luis Henrique falem em democracia, o que vale para cada um é a sua verdade. Se a tese contrária ganhar, vai haver racha. Mariani já cantou a pedra dizendo não se sentir confortável em apoiar Colombo. O PMDB vive, sem dúvida, um dos momentos mais delicados de sua recente trajetória.

 

CONFUSÃO

Involuntariamente, ou não, a assessoria de imprensa da prefeitura de Canoinhas confundiu alhos com bugalhos ao divulgar que o Município repassou R$ 2,5 milhões ao Hospital Santa Cruz. A direção do HSC está à espera da grana, já que este valor não chegou por lá. Como o próprio release deixa claro, a maior parte do dinheiro serviu para manter os serviços de sobreaviso, que são prerrogativa do Pronto Atendimento Municipal, de inteira responsabilidade da prefeitura. Hospital é outro departamento.
Falando em assessoria de imprensa, a popularidade de Beto Faria deve estar batendo o teto, ja que há semanas a imprensa não recebe uma sugestão de pauta sequer. Os textos são publicados direto no site da prefeitura sob alegação de que o e-mail da prefeitura está com defeito. Certamente desconhecem serviços de e-mails gratuitos criados com o advento da internet.

Os 50 anos do Golpe Militar suscitam variáveis interpretativas, além de reações passionais e antigas dores às quais cabe o devido respeito. Reservados os sentimentos, tentarei explicar o fato histórico a partir de uma justificativa teórica, cuidadosamente formulada pelo artífice intelectual do Regime, General Golbery do Couto e Silva. No contexto da Guerra Fria, assumiu a responsabilidade de justificar o paradoxo tupiniquim de uma intervenção autoritária em defesa da democracia. Em nome da segurança, a liberdade foi postergada e os fins justificaram os meios.

A “Revolução de 64”, foi um golpe de Estado. Revoluções em geral o são. A despeito das intenções e efeitos, assim o foi, pelo rompimento com as regras democráticas. Mas não foi o simples golpe de uma camarilha militar. Foi o resultado de um movimento que começa em 1937. É quando alguns jovens militares, formados na Escola Superior de Guerra – ESG, desaprovam o fechamento do Congresso, pelo governo de Getúlio. Estranho paradoxo, considerando que esses jovens, críticos do totalitarismo e defensores da liberal-democracia, seriam os mentores e operadores do Golpe de 64. É, mas os fins justificam os meios.

Entre os personagens, despontavam figuras como Geisel, Castelo Branco e Golbery – que serviu no 13º Batalhão de Caçadores de Joinvile. Todos passaram pela ESG e comporiam o que podemos chamar de uma “elite emergente” com um projeto de poder. E aqui começa nosso entendimento sobre a complexidade do fato, enredado numa leitura sociológica, apoiada na filosofia da história e da política, acerca dos destinos do País.

A ideia era a de que um país com a formação antropológica brasileira, oligárquica, latifundiária e destituída de senso comunitário, só chegaria à modernidade e à democracia pela via autoritária. E isso seria possível pela conduta de uma elite emergente, ciente de sua missão histórica. Por trás do argumento, uma visão histórica do Brasil e dos processos civilizatórios.

Ali está, por extensão, a primeira formulação teórica da sociologia, qual seja, a do positivismo de Augusto Comte. Ordem e progresso, lema do nosso símbolo maior, é a expressão do positivismo, adaptado à realidade nacional pelos formuladores da sociologia brasileira, Alberto Torres e Oliveira Viana, mentores intelectuais dos melhores alunos da ESG. Só o Estado centralizado, governado por uma elite capaz de evitar a decadência, poderia conduzir o País rumo ao destino manifesto: potência e liderança geopolítica na América do Sul.

Essa é a chave interpretativa do pensamento de Golbery. Membro dessa “elite emergente”, anti-comunista intransigente, Ele propõe uma aliança estratégica com os Estados Unidos. Em seus livros Planejamento Estratégico e Geopolítica do Brasil, sugere que os EUA teriam boas razões em apoiar o Brasil na assunção dessa liderança continental, em defesa dos interesses da civilização ocidental, cristã e democrática, contra o comunismo ateu e totalitário. Nessa perspectiva geopolítica, impossível não reconhecer a grandeza dos interesses.

No contexto da Guerra Fria, e na batalha cristã entre o bem e o mal, cabia não apenas identificar o inimigo externo. O comunismo era uma real ameaça interna, e cabia eliminá-la a todo custo. Isso não se faria democraticamente, ante a fragilidade de um povo ignorante, presa fácil da demagogia inimiga. Diante da “anomia social” (olha o positivismo aí), era necessária uma solução autoritária, em que a liberdade, provisoriamente, daria lugar à segurança. Uma vez livres da ameaça comunista, estaríamos aptos a construir o caminho da democracia. Na perspectiva da filosofia política, Machiavel e Hobbes esfregam as mãos.

Ficam no plano da filosofia da história ao menos duas claras orientações: primeiramente, a crença numa elite emergente, anunciando a redenção e o restabelecimento da ordem e o progresso, ante a ameaça da decadência civilizatória (Toynbee e Spengler). Em segundo lugar, aparece a interessante perspectiva, novamente, de Oliveira Viana: a história política do Brasil seria marcada por uma sucessão de sístoles e diástoles. E na década de sessenta, era o momento de concentrar, até que as condições estivessem seguras ao processo de abertura. Dito e feito.

De quebra, coube a Golbery o refinamento de defender um regime restritivo, porém, com legislativo bi-partidário. “A crítica é o sal da vida” e um regime autoritário, por mais esclarecido, não seria criativo sem oposição. ARENA e MDB atuariam nesse novo cenário, tais quais republicanos e democratas nos EUA. Além disso, a ideia de uma elite dirigente e tecnocrática é a antítese do populismo e do caudilhismo latino-americano, que Golbery e os seus consideravam a pior herança cultural getulista. O poder, portanto, deveria ser assumido por uma junta, despersonalizando o seu exercício.

A despeito de julgamentos e interpretações, é imprescindível compreender os fatos históricos a partir das ideias que os permeiam. E o mosaico ideológico do “bruxo da ditadura” é tão importante para compreender as razões do Golpe, quanto as idéias de Machiavel e Hobbes são para as razões de Estado.

Não teremos outro golpe, nem patriotas ao estilo de Golbery e dos militares no poder. Mas continuaremos pensando o Brasil. Do contrário, não seremos a potência que Ele e os militares obsessivamente almejaram. Sugeria certo filosofo alemão, que uma nação só se faz quando vai ao próprio fígado. Significa pensar suas próprias ideias e enfrentá-las. As grandes nações tiveram seus golpes e revoluções, e nunca deixam de pensar a si próprias. Punhal no fígado dá mal estar, mas é a história, e o fígado regenera.

Walter Marcos Knaesel Birkner

Sociólogo, professor da UnC, autor do livro

O realismo de Golbery, Editora da Univali, 2002.

 

Wilsoney Gonçalves, especial para o JMais

Mesa redonda realizada sábado, 29, no anfiteatro Francisco Goebel – UnC – Canoinhas, organizada pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS) e a coordenação do curso, debateu o Programa de saúde “Mais Médicos” e seus desdobramentos no Planalto Norte Catarinense.

Participaram das atividades a professora Drª Itaira Susko, pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade do Contestado e demais autoridades da instituição, professores de diversas áreas e cursos da Universidade, acadêmicos de graduação dos campus de Canoinhas e Mafra, mestrandos do programa de Desenvolvimento Regional, sociedade civil, secretários de saúde da região, médicos estrangeiros e o prefeito de Mafra, Roberto Agenor Scholze.

Com foco no programa governamental “Mais Médicos” e seus desdobramentos na dinâmica do Planalto Norte Catarinense, as discussões foram inicializadas por Scholze, secretária de Saúde de Mafra, Jaqueline Previatti Veiga e os médicos estrangeiros do município, Dr. Julio Sergio Lima e Dr José Luiz Garcia Diegues. Sob outro viés foram feitas abordagens pelo secretário de Saúde do município de Monte Castelo, Oscar Ribeiro Fernandes e o médico cubano, Dr. Roniel Riveiro Rúbio.

O debate oportunizou esclarecimentos a comunidade, auxiliados pelas desmistificações do programa, problemáticas do senso comum ou lobby criados por interesses de classes. Questões fundamentais no entendimento do paradigma da sociedade que se constitui.

A atividade aproximou às políticas governamentais as reflexões acadêmicas, fortalecendo a interdisciplinaridade e a função social da Universidade, juntamente com o estreitar dos caminhos com a comunidade, o que permite almejarmos e disseminarmos elevados graus de desenvolvimento cientifico, político, econômico e cultural.